HC faz primeira cirurgia ginecológica do Brasil com um único corte de 1,5 cm

10 de abril de 2010

A Clínica de Ginecologia do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, realiza cirurgia minimamente invasiva, pioneira no País. Com uma única incisão de um centímetro e meio no umbigo, os médicos retiraram as duas tubas uterinas da paciente que sofria de dor pélvica e inflamação.

Primeiro procedimento do gênero realizado na América Latina, a nova técnica levou cerca de 30 minutos, entre a entrada na cavidade abdominal e a cirurgia. A paciente recebeu alta em menos de 24 horas e poderá voltar às atividades habituais em até cinco dias. Isso porque o trauma cirúrgico é bem menor em relação às cirurgias tradicionais.

Segundo o ginecologista Sérgio Conti Ribeiro, os procedimentos adotados atualmente requerem de três a quatro incisões e levam até uma hora. A recuperação do paciente é mais demorada: de 7 a 10 dias.

A técnica, chamada de single port (acesso único), consiste na colocação de um portal através de uma incisão de 1,5 cm na cicatriz umbilical. Por essa “porta única” é inserido uma microcâmera com iluminação e duas pinças de 0,5cm utilizadas para a realização do procedimento.

Este tipo de acesso cirúrgico é empregado nos Estados Unidos da América e na Coréia, pelas inúmeras vantagens: menos dor pós-operatória, menos riscos de infecções, menor inflamação, recuperação mais rápida da paciente e o tempo de permanência hospitalar reduzido, sem contar os benefícios estéticos.

Pelas vantagens, o ginecologista Conti Ribeiro acredita que, em breve, o procedimento poderá substituir as antigas técnicas por propiciar uma recuperação mais rápida.

“Muitas doenças que acometem os órgãos ginecológicos, como cistos ovarianos, gestação nas trompas, endometriose e miomas uterinos são passíveis de serem tratadas com o acesso cirúrgico”.

A expectativa dos médicos é que com o aperfeiçoamento do método e capacitação dos cirurgiões seja possível realizar inclusive a histerectomia (retira do útero). “Com uma cirurgia mais minimante invasiva, você debilita menos o doente”, acrescentou.

Outra vantagem diz respeito ao hospital. O método permite redução de custos, economia no tempo de internação e liberação mais rápida de leitos, em benefício de outros pacientes.

A equipe responsável pelo primeiro procedimento no Hospital das Clínicas foi composta pelos médicos: Sergio Conti Ribeiro, Nilton Kawahara E Renata Tormena, sob orientação do Prof. Titular da Ginecologia, Edmund Baracat.

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