Ruídos acima de 85 decibéis podem ser tolerados pelo ouvido humano por até oito horas seguidas de exposição. Já barulhos superiores a 115 decibéis podem causar lesões auditivas importantes em apenas um minuto. De acordo com a especialista em audição, doutora Mara Gândara, otorrinolaringologista do Hospital das Clínicas da FMUSP, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, a situação é alarmante, pois circunstâncias e atitudes consideradas comuns – como o trânsito de grandes avenidas e o uso de fones para ouvir música – podem ultrapassar esses limites.
A perda auditiva pelo ruído tem prevenção. Volumes próximos a 80 decibéis, por exemplo, começam a trazer problemas somente quando suportados por mais de oito horas diárias e após 10 anos de exposição. “O uso de um simples protetor auricular pode evitar grande parte dos problemas”, informa a especialista, citando, como grupos de risco, pessoas que ficam muito tempo no trânsito, policiais expostos ao estampido de armas de fogo, trabalhadores que usam britadeiras, jovens que freqüentam baladas e pessoas que residem próximas a aeroportos.
Para alertar sobre as causas da surdez e informar técnicas de prevenção, o Hospital das Clínicas em parceria com a Fundação de Otorrinolaringologia realiza nesta quinta-feira, dia 2 de setembro de 2010, das 8 às 17 horas, com entrada gratuita, o “II Encontro entre Médicos Otorrinolaringologistas e Pacientes”, no Centro de Convenções Rebouças. Palestras sobre surdez, cirurgia da surdez, tosse, rinite, distúrbios do equilíbrio, zumbido e câncer estão na programação.
Segundo Mara Gândara, a troca de informações é de suma importância, pois cada vez mais as pessoas estão usando novas tecnologias que, quando mal utilizadas, podem acarretar em danos. “Muitos pais estão dando uma surdez ao filho ao presenteá-lo com um Ipod ou um MP3”, alerta, ao explicar que o fone faz com que a música entre pelo condutor auditivo externo e jogue o som alto direto na membrana timpânica, podendo chegar a 120 decibéis sem ter por onde dispersar. “Hoje, são encontrados jovens com lesão na orelha semelhante à de um serralheiro que trabalha há 15 anos sem proteção”, compara.
Em recente medição de sons nas ruas de São Paulo, a doutora verificou que em grandes avenidas, como, por exemplo, a Teodoro Sampaio, os ruídos de ônibus chegam a 116 decibéis na subida. “O som se dispersa pelo ar, mas quando o indivíduo se expõe continuamente a essa situação pode ocorrer lesão”, observa.
A perda auditiva afeta também o lado psicológico. O fato de não ouvir bem deixa a pessoa mais irritada, o seu poder de concentração diminui e os relacionamentos são afetados. “Elas passam a aumentar muito o volume da televisão e do rádio, pedem para os outros repetirem exaustivamente o que disseram e, finalmente, mudam os seus hábitos, tornando-se muito introspectivas”.
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DISCIPLINA DE CLÍNICA OTORRINOLARINGOLÓGICA DA FMUSP
TELEFONE: 11 3068-9855
E-MAIL: mariana@forl.org.br
DATA: 02 de setembro de 2010
LOCAL: Auditório Amarelo
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